Publicado por: Alex Lobo | 02/10/2013

ESCALPELAMENTO: O DRAMA DAS POPULAÇÕES RIBEIRINHAS

EmbarcaçãoA região do Alto Amazonas, especificamente nos Estados do Amazonas, Pará e Amapá, sempre movimentado pelo fluxo das hidrovias bastante utilizadas pela população ribeirinha, onde utiliza os barcos como meio de transporte para outras cidades e regiões.
Existe uma preocupação que tem sido bastante questionada principalmente pelas Capitanias de Portos, departamento de controle hidrográfico regional da Marinha do Brasil. Algumas dessas embarcações até improvisadas que compromete o risco e a segurança dos passageiros, pilotos sem habilitação técnica, irregularidade e até mesmo deixam o eixo do motor descoberto para uma possível rápida manutenção.
Mas o perigo não está aí, geralmente e de modo ingênuo a queda de um brinco, uma pulseira ou um grampo de cabelo e a partir desse fato, algo que vai mudar sua vida para sempre. É quando inocentemente ao se abaixar para pegar esse objeto ou se aproximar do motor dessa embarcação, o cabelo se enrosca e se prende no eixo do motor. Marcando assim o início de uma grande tragédia, um circo dos horrores na vida real. Em um rápido instante em que ao mínimo se exige muito mais do que a pressa de desligar o motor é onde o estrago já está feito, o escalpelamento total do couro cabeludo, onde até mesmo em casos mais graves atinge a face dessas mulheres.
Escalpeamento IIIMomentos de desespero e terror, onde tem como seu maior inimigo o tempo na hora de correr atrás de socorro que tem que ser imediato. Casos como esses acontece com bastante freqüência nessas regiões onde tem como meio de transporte as hidrovias.
O início de uma nova vida, uma nova rotina, carregando em si lembranças, as marcas do acidente que ficarão guardadas para sempre não só em suas cabeças, mas as marcas estão registradas em sua face com a desconfiguração causada pelo acidente, e no entanto a perca do bem maior da vaidade feminina : “o cabelo”. Em maioria dos casos a perca é total.
O escpalpelamento, é o arrancamento brusco e acidental do couro cabeludo, e é mais comum em acidentes envolvendo pequenos barcos, ocorre com a aproximação da vítima no eixo do motor por acaso, tem seus cabelos repentinamenente puxados pelo eixo. A forte rotação ininterrupta do motor ao enrolar o cabelo em torno do eixo, arranca de modo violento todo o escalpo da vítima, que inclusive arranca orelhas, sobrancelhas, e as vezes maior parte da pele do rosto e pescoço levando a deformações graves e até a morte. Tendo maior incidência cerca de 80% dos casos atingindo em mulheres, e 60% sendo em crianças.
Vitima EscalpeamentoSuas vidas jamais serão as mesmas depois do acidente. Além de arrancar de uma maneira violenta os seus cabelos, arrancam também a sua vaidade e a sua beleza. Na vida, essas mulheres são vítimas do preconceito, em alguns casos o preconceito se inicia dentro de suas próprias famílias, com o abandono e o esquecimento.
A vergonha e o constrangimento são algo com sinal forte na vida delas, demora-se muito para mandar encomendar uma peruca, alem de um alto custo, sabe-se que não é igual como ter seus cabelos natural, como, jamais poderá mergulhar em um rio ou uma piscina sem precisar que as tire.
Essas mulheres além de vítimas do acidente também são vítimas do preconceito social, com os rostos marcados, muitas não conseguem espaço no mercado de trabalho, vítimas da seleção social. Por esses motivos várias vítimas já procuraram a aposentadoria pelo INSS, por onde afirma que tem plenas condições de trabalho embora a própria sociedade não ofereça essa oportunidade.
PerucaO projeto social “Educando para evitar o Sofrimento” que funciona desde 2010 onde abrange 17 municípios do Estado do Pará e 2 do Amapá, abrangendo cerca de 100 mil famílias. Um projeto idealizado pela Eletronorte em parceria com a Capitania de portos da Amazônia Oriental oferece assistência às vítimas. A aquisição e instalação de material Carenagens, para a cobertura da parte móvel dos motores das embarcações, e o apoio as vítimas para reduzir as conseqüências físicas e psicológicas causadas pelo escalpelamento, oficinas de fabricação de perucas, onde são direcionadas para as próprias vítimas.
Um mutirão foi organizado para atender vítimas de escalpelamento no Amapá. A expectativa é que as cirurgias reparadoras tragam como resultado, além da melhora estética, a recuperação da autoestima e ainda ajude a minimizar os preconceitos.
Em maio de 2012, médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas estiveram no Amapá fazendo as avaliações cirúrgicas e a colocação de expansores (equipamento usado para esticar o couro cabeludo) nas vítimas. Quarenta cirurgiões retornaram à capital para dar continuidade ao processo, por meio do mutirão organizado pelo governo do Estado.
Escalpeamento IINa primeira etapa, ocorrida em maio, os médicos fizeram avaliações nas mulheres, analisaram caso a caso. Eles informaram a cada uma dessas mulheres o que poderia ser feito e o resultado que conseguiriam obter nas cirurgias. Não vai ficar 100%, mas elas já estão bastante felizes por amenizarem as marcas dos acidentes nos corpos e elevar a sua auto-estima.
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Associação de Mulheres Ribeirinhas e Vitimas de Escalpelamento da Amazônia,
Para doações financeira e de cabelos entre em contato o link:
http://amrveap.webnode.com.br/
Para entrar em contato: amrvea.ap@gmail.com
(096) 3222-6170 / (096) 9129-6173
(096) 9147-5567

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