Publicado por: Alex Lobo | 08/04/2012

CÉSIO 137 – O MAIOR ACIDENTE RADIOLÓGICO NUCLEAR DO BRASIL


O acidente radiológico de Goiânia, popularmente conhecido como acidente com o Césio-137, foi um dos mais graves episódios de contaminação por radioatividade ocorrido no Brasil. A contaminação teve início em 13 de setembro de 1987, quando um aparelho utilizado em radioterapias das instalações de um hospital abandonado foi encontrado, na zona central de Goiânia, no estado de Goiás. Foi classificado como nível 5 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares.

O instrumento, de forma irresponsavelmente deixado no hospital, foi encontrado por catadores de um ferro velho do local, que entenderam tratar o lixo radioativo e altamente perigoso como sucata. Foi desmontado e repassado para terceiros, gerando um rastro de contaminação, o qual afetou seriamente a saúde de centenas de pessoas. O acidente com Césio-137 foi o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora das usinas nucleares. A contaminação em Goiânia originou-se de uma cápsula que continha cloreto de césio – um sal obtido a partir do radioisótopo 137 do elemento químico césio. A cápsula radioativa era parte de um equipamento radioterapêutico que, dentro deste, encontrava-se revestida por uma caixa protetora de aço e chumbo. Essa caixa protetora possuía uma janela feita de irídio, que permitia a passagem da radiação para o exterior.

O equipamento radioterápico em questão era do modelo Cesapam F-3000. Foi projetado nos anos 1950 pela empresa italiana Barazetti e Cia. e comercializado pela empresa italiana Generay SpA. O objeto que continha a cápsula de césio foi recolhido pelos militares e encontra-se exposto como trófeu no interior da Escola de Instrução Especializada, no Rio de Janeiro (capital), em forma de agradecimento aos que participaram da limpeza da área contaminada.

O Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) era um instituto privado, localizado na Avenida Paranaíba, no Centro de Goiânia. O equipamento que gerou a contaminação na cidade entrou em funcionamento em 1971, tendo sido desativado em 1985, quando o IGR deixou de operar no endereço mencionado. Com a mudança de localização, o equipamento de teleterapia foi abandonado no interior das antigas instalações. A maior parte das edificações pertencentes à clínica foi demolida, mas algumas salas – inclusive aquela em que se localizava o aparelho – foram mantidas em ruínas. Ou seja, o aparelho inutilizado foi deixado e abandonado de uma maneira imprudente e irresponsável, tendo acesso a qualquer pessoa.Irresponsabilidade que totalizou em onze mortes e 600 pessoas contaminadas.

Foi no ferro-velho de Devair Ferreira que a cápsula de césio foi aberta para o reaproveitamento do chumbo. O dono do ferro-velho expôs ao ambiente 19,26 g de cloreto de césio-137 (CsCl), um sal muito parecido com o sal de cozinha (NaCl), mas que emite um brilho azulado quando em local desprovido de luz. Seu Devair ficou encantado com o pó que emitia um brilho azul no escuro. Ele mostrou a descoberta para a mulher Maria Gabriela, bem como o distribuiu para familiares e amigos,o irmão de Devair, Ivo Ferreira leva um pouco de césio para sua filha, Leide Das Neves, que ingere as partículas do césio junto ao pão; outro irmão de Devair, Alves Ferreira também tem contato direto com o césio. Pelo fato de esse sal ser higroscópico, ou seja, absorver a umidade do ar, ele facilmente adere à roupa, pele e utensílios, podendo contaminar os alimentos e o organismo internamente. Algumas horas após o contato com a substância, vítimas apareceram com os primeiros sintomas da contaminação (vômitos, náuseas, diarréia e tonturas). Um grande número de pessoas procurou hospitais e farmácias clamando dos mesmos sintomas. Como ninguém fazia idéia do que estava correndo, tais enfermos foram medicados como portadores de uma doença contagiosa. Dias se passaram até que foi descoberta a possibilidade de se tratar de sintomas de uma Síndrome Aguda de Radiação.

Somento no dia 29 de setembro de 1987, após a esposa do dono do ferro-velho ter levado parte da maquina de radioterapia até a sede da Vigilância Sanitária, é que foi possível identificar os sintomas como sendo de contaminação radioativa. Os médicos que receberam o equipamento solicitaram a presença de um físico nuclear para avaliar o acidente. Foi então que o físico Valter Mendes, de Goiânia, constatou que havia índices de radiação na Rua 57, do Setor Aeroporto, bem como nas suas imediações. Diante das tais evidências e do perigo que elas representavam, ele acionou imediatamente a Comissão Nacional Nuclear (CNEN).

A primeira medida tomada foi separar todas as roupas das pessoas expostas ao material radioativo e lavá-las com água e sabão (preferência sabão de coco) para a descontaminação externa. Após esse procedimento, as pessoas tomaram um quelante denominado de “azul da Prússia”. Tal substância elimina os efeitos da radiação, fazendo com que as partículas de césio saiam do organismo através da urina e das fezes . As remediações não forma suficientes para evitar alguns pacientes viessem a óbito. Surgiu nessa nesse período um grande caos, deixando a capital Goiana em estado de Alerta Máximo, isolando o perímetro da área de contágio, inspecionando em pessoas o índice de radioatividade através de aparelhos, desocupação de imóveis, remoção de destroços, para o processo de descontaminação.

No dia 23 de outubro morrem Leide das Neves e Maria Gabriela, esposa de Devair, e mais dois funcionários do ferro velho. Posteriormente, mais pessoas morreram vítimas da contaminação com o material radioativo, entre eles funcionários que realizaram a limpeza do local.

O trabalho de descontaminação dos locais atingidos não foi fácil. A retirada de todo o material contaminado com o césio-137 rendeu cerca de 6.000 toneladas de lixos (roupas, utensílios, materiais de construção etc.) Tal lixo radioativo encontra-se confinado em 1.200 caixas, 2.900 tambores e 14 contêiners (revestidos com concreto e aço) em um depósito construído na cidade de Abadia de Goiás, onde deve ficar por aproximadamente 180 anos.

No ano de 1996, a Justiça julgou e condenou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) três sócios e funcionários do antigo instituto Goiano de Radioterapia (Santa Casa de Misericórdia) a três anos e dois meses de prisão, embora ter sido substituída por prestação de serviços. Atualmente, as vítimas reclamam da omissão do Governo para a assistência da qual necessitam, tanto médica como de medicamente.

Fundaram a Associação das Vítimas contaminada do Césio-137, que lutam pelo descaso do Governo tanto Estadual quanto do Governo Federal, a assistência e apoio as vítimas do Césio contam com moradores da região local e pessoas próximas infectadas, filhos e dependentes de pessoas que nasceram com o sintoma decorrido da contaminação, bombeiros e agentes de saúde que tiveram o contato direto durante o processo
de descontaminação. A maior dificuldade das pessoas contaminadas é o descaso e o preconceito que ainda existe.

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Responses

  1. e triste o que a inresponsabilidade acompanhado da negligencia pode fazer na vida de centenas de pessoas esse trauma jamais sera esquecidos pelos protagonistas dessa triste e real historia…

    • Olá Geovana,
      A equipe da Fococidadão, na grande honra, de agradecer pela atenção e pela participação.
      Fato lamentável, infelizmente a bela Goiania, participando na história das cidades de acidentes Nucleares.
      Informamos que fique ligada nas nossas matérias e em breve teremos mais novidades!

  2. Não é acidente nuclear o de Goiânia, acidente radiologico. Aprendam.


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